Mangabeira (II): envio e-mail ao Prof. Roberto Mangabeira Unger para marcar a reunião que ele me havia sugerido quando encontrei sem querer com ele na Biblioteca semana passada. Apenas minutos depois ele responde em uma linha: “segunda-feira às 16:00 na minha sala, Areeda 226.”. 
Vou lá com todo o receio de falar com um dos pensadores mais completos dos últimos tempos…. alguém que vem propondo desde a década de 70 uma nova e completa Teoria Social (com todos seus desdobramentos políticos, democráticos, econômicos e institucionais). 
Ele me recebe muito cordialmente… Sua sala é toda rodeada por estantes com livros… livros em inglês, espanhol, francês, livros em português (vejo, inclusive, livros recentíssimos de autores brasileiros, todos abertos e marcados)… livros por toda a parte. Sua mesa é toda tomada por pedras de todas as cores, tipos e tamanhos. 
Ele se senta e com um sorriso vai direto ao ponto: “qual a proposta da sua tese; qual sua metodologia de trabalho e quanto tempo você ficará aqui em Harvard?”. Bom… depois dessas três perguntas, qualquer coisa que eu dissesse mereceria crítica e correção. Então deixei o medo de lado, apresentei a tese, a metodologia e disse que ficaria até o fim do ano. 
Prof. Mangabeira (como gosta de ser chamado), escutou atenciosamente cada palavra. Ao final, lhe fiz 3 perguntas sobre (i) democracia direta e representativa; (ii) experimentalismo institucional inovador e (iii) democratização do poder judiciário no Brasil. Ele respondeu cada uma delas em breves frases: (i) temos de efetivar a promessa constitucional brasileira de democracia direta. A democracia direta não se opõe à democracia representativa. Ela a complementa; (ii) o experimentalismo institucional inovador é necessário, exemplar, centelha no agora do que desejamos no futuro; (iii) o constitucionalismo brasileiro precisa mudar e isso só se faz pensando e atuando fora do seu atual padrão de funcionamento. Sua tese aliás, é uma proposta excelente nesse sentido.
Em todas essas três respostas fez referencias a trabalhos que ele já havia escrito. E terminou com duas notas importantes: uma de incentivo e esperança, e outra de atenção e cuidado. O Prof. Mangabeira se disse muito feliz pela reflexão teórica que proponho e ainda mais esperançoso pela possibilidade prática que apresento. Mas terminou me dizendo: sua proposta teórica e prática são muito boas, mas se você não deixar claro a que projeto mais amplo elas se ligam (fazendo clara referência a que tipo de projeto universal ou teoria social o trabalho que proponho se vincularia), elas serão apenas mais uma colher de açúcar tentando amenizar o sabor amargo da realidade e do direito brasileiro. E se despediu com uma dedicatória no meu livro tão séria, quanto fraterna: “Para Miguel Godoy, a esperança como razão”

Para quem se interessar, aqui vai a página oficial do Prof. Roberto Mangabeira Unger, com toda a sua obra e propostas para o Brasil. A página está em português, inglês e chinês.

http://www.law.harvard.edu/faculty/unger/portuguese/index.php — emHarvard University

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